06/01/2025
OAB cumprimenta a atriz Fernanda Torres pelo Globo de Ouro
Fonte: OAB Nacional
O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (CFOAB) parabeniza a atriz Fernanda Torres pela conquista do Globo de Ouro nesse domingo (5/1). A brasileira foi premiada como melhor atriz por interpretar uma advogada no longa-metragem "Ainda Estou Aqui".
"A conquista de Fernanda Torres é um marco para o Brasil e um reconhecimento à qualidade de nossa arte. Essa vitória reforça a importância da valorização da cultura nacional e da projeção do Brasil no cenário internacional, algo que nos enche de orgulho e esperança”, diz o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti.
"Ainda Estou Aqui" é baseado no livro homônimo escrito por Marcelo Rubens Paiva, que conta a história da prisão e assassinato de seu pai pela ditadura militar. A personagem interpretada por Fernanda Torres e por Fernanda Montenegro é a advogada Eunice Paiva, mãe do autor, que se tornou ativista após o desaparecimento político do marido.
Quem foi Eunice Paiva, papel que rendeu Globo de Ouro para Fernanda Torres
Fonte: Splash, com informações de Agência Estado
Fernanda Torres venceu o prêmio de melhor atriz de drama no Globo de Ouro 2025 com o papel de Eunice Paiva no filme "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles.
Quem foi Eunice Paiva?
♦ Hoje conhecida como símbolo da luta contra a ditadura militar, Maria Lucrécia Eunice Facciolla Paiva nasceu em São Paulo em 1929. De família de origem italiana, estudou no Colégio Sion. Ávida leitora, foi amiga de grandes escritores, como Lygia Fagundes Telles, e passou em primeiro lugar na Universidade Mackenzie para o curso de Letras.
♦ Conheceu Rubens Paiva, seu futuro marido, em 1947. Eles se casaram em 1952 e tiveram cinco filhos.
♦ Em 1962, Rubens Paiva se tornou deputado federal, e em 1964, depois do golpe militar, teve seus direitos políticos cassados. Entre 1964 e 1970, a família Paiva viveu um período de instabilidade e se estabeleceu eventualmente no Rio de Janeiro. No início de 1971, eles seriam vítimas da tragédia que lhes acompanharia para o resto da vida.
♦ Em 20 de janeiro de 1971, Rubens Paiva foi levado pela polícia da casa em que vivia com a família no Leblon. Foi a última vez que ele foi visto.
♦ No dia seguinte, Eunice também foi presa e permaneceu 12 dias nas dependências do Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) sendo interrogada. Após sua libertação, passou a questionar o que havia ocorrido com seu marido - mas não obtinha nenhuma resposta.
♦ Em diversas cartas ao presidente Emílio Garrastazu Médici e outras direcionadas a diferentes autoridades, Eunice exigiu a verdade sobre o paradeiro do marido. Os órgãos oficiais, quando forneciam alguma resposta, davam relatos diferentes: ou que ele havia sido sequestrado por desconhecidos ou que havia fugido para Cuba.
♦ Eunice se tornou símbolo das campanhas pela abertura de arquivos sobre vítimas do regime. Ela lutou ao lado de nomes como a estilista Zuleika Angel Jones, a Zuzu Angel, de Crimeia de Almeida, Inês Etienne Romeu, Cecília Coimbra, entre outras mulheres.
♦ Formou-se em Direito depois da viuvez e se tornou uma das principais forças de pressão que culminou com a promulgação da Lei 9.140/95, que reconhece como mortas as pessoas desaparecidas em razão de participação em atividades políticas durante a ditadura militar.
♦ Foi apenas em 1996, após 25 anos de luta por verdade, que Eunice conseguiu que o Estado Brasileiro emitisse oficialmente o atestado de óbito de Rubens Paiva. A primeira prova objetiva de seu assassinato só foi encontrada 41 anos depois, em novembro de 2012, com uma ficha que confirmava sua entrada em uma unidade do DOI-Codi.
♦ Eunice Paiva conviveu com Alzheimer por 14 anos e morreu em 13 de dezembro de 2018, em São Paulo, aos 86 anos.
