01/07/2016
Flexibilização dos direitos trabalhista está na pauta do governo Temer
Fonte: Blog Direito do Trabalho - A Tribuna / Eraldo Aurélio Rodrigues Franzese*


A equipe do presidente interino Michel Temer trabalha em uma proposta de modificação dos direitos dos trabalhadores que vem sendo tratada como “reforma trabalhista”.
Grande parte dos doutrinadores prega que o ideal para o país modernizar as relações de trabalho seria uma reforma que dividisse a extensa CLT em dois códigos: Um “Código do Trabalho”, com os direitos trabalhistas explicitados de forma simples e organizada e outro “Código de Processo do Trabalho”, direcionado as regras processuais.
Tudo leva a crer, entretanto, que mais uma vez teremos pequenas modificações esparsas e desorganizadas sem o avanço pretendido pela sociedade com uma verdadeira reforma para melhor.
Segundo o Governo, o objetivo é flexibilizar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), a partir dos acordos coletivos que teriam mais margem para alterar garantias, visando aumentar a produtividade da economia e reduzir os custos dos empresários ao investir.
A proposta do Governo deve permitir maior flexibilidade nas negociações coletivas visando à redução de jornada e de salários, ficando fora dos acordos normas relativas à segurança e saúde dos trabalhadores. Ao contrário do que se propagam nas redes sociais, FGTS, férias, previdência social, 13º salário e licença-maternidade, entre outros, continuarão existindo obrigatoriamente, mas podem ser flexibilizados. Ou seja, as partes (empregadores e sindicatos da categoria) poderão negociar, por exemplo, o parcelamento antecipado do 13º salário e a redução do intervalo de almoço de uma para meia hora, com alguma contrapartida para os empregados.
As horas gastas no transporte que contarem como jornada de trabalho — nos casos em que a empresa oferece a condução, também poderiam ser objeto de negociação. Também pretende o Governo ampliar as hipóteses de terceirização que hoje é limitada das atividades de conservação, vigilância e limpeza.
As tratativas para equacionar a pauta com o conteúdo da reforma, todavia, a todo o momento é interrompida pelo andamento das investigações da Lava a Jato, mais e mais aumentando a insegurança quanto a direção e possibilidade efetiva de ocorrer uma reforma trabalhista.
O assunto cedo ou tarde será enfrentado porque muitos projetos de lei sobre o assunto já se acumulam na atrasada pauta do Congresso Nacional.
*Eraldo Aurélio Rodrigues Franzese
Advogado formado pela Faculdade Católica de Direito de Santos no ano de 1975. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, OAB/SP 42.501. Sócio instituidor da sociedade de advogados Franzese Advocacia. Exerceu cargo de vice-presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas de Santos. É membro do Conselho Institucional da Ordem dos Advogados do Brasil sub-secção de Santos. Cidadão emérito de Santos por outorga efetuada no salão Princesa Isabel pela Câmara Municipal de Santos. Diretor-jurídico, Vice-Presidente e depois Presidente da Fundação Lusíada, mantenedora da UNILUS – Centro Universitário Lusíada. Titulado pela medalha “Brás Cubas” com honra ao mérito pela Câmara Municipal de Santos. Agraciado pela Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho da 2ª Região com a Comenda no Grau de Grande-Oficial.
